Bem-vindo ao portal do Rhuan Pedroza!
Conheça o outro lado do empreendedor de sucesso. Aqui ele compartilha dicas de empreendedorismo e vida em equilíbrio para você encontrar a sua felicidade.
Há momentos na vida em que precisamos diminuir o ritmo, silenciar algumas vozes ao nosso redor e voltar a atenção para dentro de nós mesmos. Nem sempre esse afastamento significa desistência, abandono ou falta de compromisso. Às vezes, significa simplesmente que estamos tentando encontrar forças para continuar.
Por meio deste comunicado, gostaria de compartilhar, de maneira transparente e respeitosa, que atualmente estou passando por um período de depressão e, em razão dessa situação, estou temporariamente afastado do convívio social, da mídia tradicional e das redes sociais.
Esse afastamento é uma necessidade deste momento. É uma forma de preservar minha saúde emocional, respeitar meus limites e permitir que eu possa dedicar tempo e energia ao tratamento e à recuperação.
Isso não significa, entretanto, que eu esteja afastado das minhas atividades profissionais.
Mesmo diante das dificuldades pessoais e de saúde que venho enfrentando, continuo cumprindo meus compromissos profissionais, responsabilidades e atividades normalmente, procurando honrar pontualmente tudo aquilo que está sob minha responsabilidade.
Falar sobre depressão ainda é difícil para muitas pessoas. Existe uma ideia equivocada de que uma pessoa deprimida está simplesmente triste, desanimada ou que precisa apenas “pensar positivo” para melhorar.
Não é assim.
A depressão pode atingir profundamente a maneira como uma pessoa pensa, sente, trabalha, se relaciona e enxerga a própria vida. Muitas vezes, quem está ao redor não consegue perceber a dimensão dessa batalha porque, por fora, a pessoa continua trabalhando, cumprindo compromissos, conversando e aparentemente seguindo a rotina.
Por dentro, porém, pode existir uma luta silenciosa.
A depressão pode trazer tristeza persistente, sensação de vazio, falta de energia, perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer, dificuldade de concentração, alterações no sono, mudanças no apetite, cansaço intenso, irritabilidade, ansiedade, sentimentos de culpa, desesperança e vontade de se isolar.
Também pode existir uma dificuldade enorme para realizar coisas que, em outras circunstâncias, pareceriam simples.
Responder uma mensagem pode se tornar difícil. Atender uma ligação pode exigir um esforço enorme. Encontrar pessoas pode provocar ansiedade. Participar de eventos pode parecer impossível. Conversar sobre aquilo que estamos sentindo pode ser ainda mais difícil.
E existe algo particularmente doloroso: a sensação de que ninguém consegue enxergar aquilo que está acontecendo dentro de nós.
É possível estar cercado de pessoas e, ainda assim, sentir-se completamente sozinho.
É possível continuar trabalhando e, ao mesmo tempo, estar emocionalmente exausto.
É possível sorrir para alguém enquanto, internamente, existe uma batalha que ninguém conhece.
Por isso, meu afastamento social não deve ser interpretado como indiferença, arrogância, desprezo ou falta de consideração por aqueles que fazem parte da minha vida. É, neste momento, uma necessidade de cuidado.
Estou realizando acompanhamento profissional para cuidar da minha saúde mental, contando com psicólogos, psiquiatras e terapeutas, além de seguir os medicamentos recomendados pelos profissionais responsáveis pelo meu tratamento.
Tenho procurado respeitar as orientações médicas e compreender que a recuperação não acontece de um dia para o outro.
Tratar a depressão exige paciência.
Existem dias melhores e dias mais difíceis. Existem momentos em que parece que estamos avançando e outros em que precisamos simplesmente respirar, descansar e continuar.
Estou aprendendo a respeitar esse processo.
Paralelamente ao tratamento da saúde mental, continuo enfrentando outro desafio importante: o tratamento contra o Câncer Colorretal e também o acompanhamento relacionado ao Carcinoma Basocelular localizado na região do rosto.
São situações de saúde diferentes, mas que acabam se encontrando dentro da mesma pessoa.
E carregar tantas preocupações simultaneamente não é fácil.
Tenho vivido grande parte desse processo de maneira solitária.
Nem sempre temos ao nosso lado as pessoas que imaginávamos que estariam presentes nos momentos mais difíceis. Algumas pessoas se aproximam, outras se afastam. Algumas compreendem, outras não conseguem compreender aquilo que estamos vivendo.
Mas aprendi que uma pessoa não precisa estar rodeada de gente para encontrar motivos para continuar.
Tenho encontrado força principalmente na minha equipe médica, que tem acompanhado meu tratamento com profissionalismo e dedicação, e também na fé, que tem sido uma fonte importante de esperança durante esse período.
Há dias em que a força parece pequena. Nesses dias, precisamos aprender a buscar força onde ainda existe alguma.
Às vezes, essa força vem de um profissional de saúde.
Às vezes, vem de uma oração.
Às vezes, vem de uma palavra.
Às vezes, simplesmente vem da decisão de levantar da cama e dizer para si mesmo: “Hoje eu vou continuar.”
Quero deixar também uma mensagem muito clara para aqueles que acompanham minha trajetória profissional.
Continuarei desenvolvendo minhas atividades profissionais normalmente.
Meu momento de recolhimento pessoal não representa abandono das minhas responsabilidades.
Continuarei cumprindo meus compromissos, administrando minhas atividades e dando andamento às demandas profissionais que dependem de mim, sempre respeitando, naturalmente, os limites necessários ao meu tratamento.
A doença não apagou minha responsabilidade.
A depressão não eliminou meus sonhos.
O tratamento contra o câncer não retirou de mim a vontade de continuar construindo, trabalhando e seguindo em frente.
Sou, neste momento, uma pessoa enfrentando enfermidades e desafios importantes. Mas também sou uma pessoa que continua tendo projetos, responsabilidades, objetivos e esperança.
Por isso, peço compreensão neste período.
Se eu não responder uma mensagem, não atender uma ligação, não participar de determinado evento ou não aparecer nas redes sociais, peço que isso não seja interpretado como falta de consideração.
Talvez eu simplesmente esteja cuidando de mim.
Talvez naquele dia eu não tenha condições emocionais para conversar.
Talvez eu precise permanecer em silêncio.
E silêncio também pode ser uma forma de tratamento.
Agradeço profundamente a todas as pessoas que demonstraram preocupação, enviaram mensagens, fizeram contato, manifestaram carinho e, principalmente, àqueles que têm colocado meu nome em suas orações.
Cada demonstração de preocupação tem seu significado.
Mesmo quando não consigo responder individualmente, saibam que reconheço e agradeço.
Se este texto chegar até alguém que esteja passando por algo semelhante, quero deixar uma mensagem:
Você não precisa ter vergonha de pedir ajuda.
Depressão não é fraqueza.
Buscar um psicólogo, um psiquiatra, um terapeuta ou outro profissional qualificado não é sinal de derrota. É uma atitude de cuidado consigo mesmo.
Não precisamos esperar chegar ao limite para procurar ajuda.
E, principalmente, não devemos acreditar que precisamos enfrentar tudo sozinhos.
Cada pessoa vive a depressão de uma maneira diferente. Algumas conseguem manter uma rotina aparentemente normal; outras têm dificuldades até para sair da cama. Algumas continuam trabalhando intensamente; outras precisam se afastar temporariamente. Nenhuma dessas experiências torna a dor menos real.
Não existe um único jeito de parecer deprimido.
Por isso, precisamos olhar para as pessoas com mais humanidade e menos julgamento.
Precisamos perguntar “como você está?” e estar dispostos a ouvir a resposta.
Precisamos entender que, muitas vezes, a pessoa que parece mais forte também pode estar travando uma batalha silenciosa.
Estou atravessando um período difícil.
Tenho consciência de que ainda existem dias complicados pela frente, consultas, tratamentos, medicamentos, avaliações e momentos de incerteza.
Mas também tenho consciência de que tratamento significa esperança.
Continuarei cuidando da minha saúde, seguindo as orientações dos profissionais que me acompanham, mantendo minha fé e procurando encontrar forças para atravessar cada etapa.
Não estou desistindo. Estou me tratando.
Estou apenas escolhendo, neste momento, diminuir a exposição, preservar minha vida pessoal e cuidar daquilo que talvez seja uma das coisas mais importantes que alguém pode cuidar: a própria saúde.
Aos amigos, colegas, parceiros profissionais e a todos que têm demonstrado preocupação, meu sincero agradecimento.
Peço apenas paciência, compreensão, respeito e boas energias.
Continuarei trabalhando.
Continuarei cumprindo meus compromissos.
Continuarei lutando.
E, acima de tudo, continuarei acreditando que dias melhores virão.
Rhuan Pedroza
Em tratamento, em recolhimento, mas seguindo em frente.