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Conheça o outro lado do empreendedor de sucesso. Aqui ele compartilha dicas de empreendedorismo e vida em equilíbrio para você encontrar a sua felicidade.
Existem momentos na vida em que seguir em frente deixa de ser apenas uma escolha e passa a ser um exercício diário de resistência. Há mais de três anos venho enfrentando uma realidade que mudou profundamente a minha maneira de enxergar a vida, o futuro, as relações humanas e até mesmo as decisões que preciso tomar todos os dias.
Atualmente, convivo com duas enfermidades cancerígenas: o Câncer Colorretal e o Carcinoma Basocelular, este último concentrado na região do rosto. Ao mesmo tempo em que enfrento os tratamentos e todas as incertezas que acompanham uma doença, também atravesso um período delicado emocionalmente, marcado pela depressão.
Não é simples explicar o que significa carregar tantas preocupações simultaneamente.
Existe o tratamento, existem consultas, exames, decisões médicas, possibilidades terapêuticas e a necessidade de compreender, juntamente com minha equipe médica, quais caminhos podem ser seguidos. Existem também as responsabilidades profissionais, os compromissos, as decisões administrativas e a necessidade de continuar conduzindo minha vida profissional mesmo quando, emocionalmente, muitas vezes eu gostaria apenas de parar por algum tempo.
Uma das partes mais difíceis dessa caminhada não está somente nas enfermidades. Está também na solidão.
Meu tratamento vem sendo realizado de maneira essencialmente solitária, sem o apoio próximo de familiares ou parentes. Tenho, felizmente, profissionais que me acompanham e oferecem o suporte necessário dentro de suas áreas de atuação, mas existe uma diferença enorme entre contar com profissionais preparados e ter alguém ao lado para compartilhar o medo, a angústia, o silêncio e aqueles momentos em que simplesmente não sabemos o que fazer.
Há situações em que uma pessoa não precisa necessariamente de uma solução.
Às vezes, ela precisa apenas de alguém que permaneça ao seu lado.
E essa é uma das experiências que mais tenho sentido durante esse período.
Enfrentar uma doença por mais de três anos transforma a maneira como enxergamos o mundo. O que antes parecia urgente pode deixar de ser. O que parecia pequeno passa a ter importância. E aquilo que imaginávamos que estaria presente em nossa vida pode simplesmente desaparecer.
A doença também ensina, de uma maneira muito dolorosa, quem realmente permanece.
Existe ainda um aspecto sobre o qual nem sempre se fala quando alguém enfrenta uma doença grave: a vida afetiva.
Atualmente, entrar em um relacionamento tornou-se algo extremamente difícil para mim.
Conhecer alguém, criar uma aproximação, desenvolver sentimentos e imaginar a possibilidade de construir uma relação amorosa já não acontece da mesma maneira. Antes mesmo de qualquer possibilidade de relacionamento, existe uma realidade que precisa ser apresentada: existe uma pessoa que está enfrentando uma doença, que possui tratamentos, limitações, preocupações e um peso emocional que não desaparece simplesmente porque surgiu alguém interessante.
Muitas tentativas de aproximação acabam frustradas justamente por causa dessa realidade.
Não escrevo isso para responsabilizar ninguém. Cada pessoa possui seus próprios limites, seus medos e suas escolhas. Uma doença grave também pode assustar quem está do outro lado.
Mas, para quem está doente, existe uma consequência emocional muito difícil: começa a surgir a sensação de que a própria enfermidade passou a ocupar um espaço tão grande na vida que quase não sobra lugar para construir uma nova história com alguém.
É difícil explicar para uma pessoa que estamos tentando conhecê-la enquanto, ao mesmo tempo, precisamos lidar com consultas, tratamentos, exames, decisões médicas e preocupações sobre o próprio futuro.
É difícil começar um relacionamento quando a própria vida está atravessando um período de tantas incertezas.
E, principalmente, é difícil não pensar se alguém será capaz de permanecer quando conhecer toda a realidade que existe por trás de nós.
Outra parte extremamente desgastante dessa caminhada é precisar tomar decisões constantemente.
Minha equipe médica apresenta possibilidades, caminhos e opções relacionadas ao tratamento. Cada alternativa precisa ser analisada com cuidado, considerando os riscos, os benefícios e as consequências que podem existir.
Ao mesmo tempo, minha vida profissional continua exigindo decisões.
Tenho responsabilidades, compromissos e assuntos profissionais que não podem simplesmente desaparecer porque estou enfrentando uma doença. Muitas vezes preciso tomar decisões importantes enquanto emocionalmente estou tentando administrar minhas próprias dificuldades.
Existe uma espécie de divisão permanente dentro de mim: de um lado, a pessoa que precisa cuidar da própria saúde; do outro, o profissional que precisa continuar cumprindo suas responsabilidades.
E nem sempre é fácil equilibrar essas duas partes.
A depressão tornou essa caminhada ainda mais complexa.
Depois de mais de três anos convivendo com enfermidades, tratamentos, incertezas e uma rotina marcada por decisões difíceis, o impacto emocional não pode ser ignorado.
A doença não afeta somente o corpo.
Ela também alcança os pensamentos, os sentimentos, a autoestima, os relacionamentos e a maneira como enxergamos o futuro.
Existem dias em que continuar trabalhando é uma forma de manter a mente ocupada. Existem dias em que o silêncio parece ser a única alternativa. Existem momentos em que conversar com alguém parece difícil até mesmo quando existe vontade de conversar.
E existe também o cansaço de precisar demonstrar força o tempo inteiro.
Durante muito tempo, talvez eu tenha aprendido a mostrar para as pessoas que conseguia continuar. Mas continuar não significa não sentir dor. Continuar não significa não ter medo. Continuar não significa estar emocionalmente bem.
Às vezes, continuar significa apenas levantar todos os dias e fazer o possível.
Falar sobre tudo isso publicamente não significa pedir que tenham pena de mim.
Também não significa transformar a doença em uma identidade.
Sou muito mais do que os diagnósticos que carrego.
Continuo sendo uma pessoa com sonhos, responsabilidades, projetos, pensamentos, sentimentos e vontade de continuar construindo a própria história.
Mas também preciso reconhecer que estou vivendo um momento delicado.
Não existe vergonha em admitir isso.
Durante muito tempo, a sociedade ensinou que precisamos esconder nossas fragilidades. Precisamos aparentar força, produtividade e controle. Porém, quando alguém enfrenta uma doença grave, fingir que está tudo bem pode ser ainda mais doloroso do que admitir que não está.
Por isso, escolhi falar.
Não sei exatamente quanto tempo essa fase irá durar.
Não sei quais decisões ainda precisarei tomar. Não sei quais serão os próximos desafios médicos, profissionais ou pessoais. E também não sei quando minha vida emocional conseguirá encontrar novamente um equilíbrio.
O que sei é que continuo caminhando.
Tenho profissionais que me acompanham durante esse processo e que têm sido fundamentais para que eu consiga atravessar cada etapa. E, mesmo enfrentando grande parte dessa trajetória de maneira solitária, continuo tentando encontrar forças para seguir.
Talvez este texto seja, acima de tudo, um registro de um período muito difícil da minha vida.
Um registro de alguém que precisou aprender a conviver com a doença, com a solidão, com a depressão, com as incertezas profissionais e com as dificuldades de estabelecer novos vínculos afetivos.
Mas também é o registro de alguém que ainda está aqui.
Ainda trabalhando.
Ainda tomando decisões.
Ainda realizando seus compromissos.
Ainda enfrentando seus tratamentos.
Ainda tentando acreditar no futuro.
A doença faz parte da minha história neste momento, mas ela não pode ser toda a minha história.
E talvez essa seja uma das maiores batalhas que estou enfrentando: não permitir que aquilo que estou vivendo hoje determine tudo aquilo que ainda poderei viver amanhã.
Rhuan Pedroza é um empresário, empreendedor e investidor brasileiro e internacional. Dirigente da holding Pedroza, proprietária de uma série de negócios nos mais variados setores da indústria e comércio. Atualmente luta contra uma enfermidade.
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